Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the world

welcome to our World!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho pelo Mundo

Bem-vindo a bordo!

Cascalho around the World

The best blue!

Bem-vindo a bordo do Cascalho pelo Mundo

Foi logo que começamos a namorar... queríamos viver a vida mais intensamente e dar asas a uma paixão comum: viajar e conhecer os quatro cantos do mundo. E decidimos que faríamos isso a bordo de um veleiro e, mais ainda, que buscaríamos este veleiro na Itália. Com 600 euros no bolso, partimos. Durante muitos anos na Itália, trabalhamos para juntar dinheiro e depois, começamos a procurar o barco que viria a ser a nossa casa... quando encontramos o Cascalho, não tivemos dúvidas... era ele !!! Tínhamos encontrado a nossa casa. Não precisávamos mais sonhar esta parte. A partir daí, foi só viver o sonho, dar ao nosso barco-casa a nossa cara e com ele viver a vela pelos quatro cantos do mundo. Exatamente como tínhamos sonhado...

Furação Irma... ajude-noa a mudar essa realidade!


Furacão Irma

Esta é uma história de vida real: são centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas e seu meio de subsistência, assim como as esperanças no amanhã.

Nós, o Luiz Fernando da Silva e a Mauriane Conte do Cascalho velejando pelo Mundo, vimos, vivemos e sentimos o quão feroz e impiedosa foi a tempestade.

O Furacão Irma destruiu não só a casa e os barcos das ilhas do Caribe por onde passou. Ele destruiu muito mais: destruiu praticamente tudo o que havia naquelas ilhas e que foi construído pelas mãos dos homens. Mas isso não é o mais importante. Tudo pode ser reconstruído.

O Furacão Irma destruiu muito mais: destruiu a possibilidade daquelas pessoas de poder trabalhar, de poder comer, de ter o que beber, de poder tomar banho, de fazer suas necessidades num vaso sanitário, de poder voltar para casa depois de um dia de trabalho e descansar, de passear com a família e os amigos no final de semana. De assistir televisão, ouvir um rádio, navegar pela internet, se conectar com o mundo exterior. Destruiu a possibilidade de as crianças irem para a escola e construir o seu futuro e destruiu a possibilidade de que seus pais lhe deem isso. Eles nem podem se permitir ficar doentes ou se machucar, porque não tem como serem tratados. Destruiu até mesmo a possibilidade de reconstruir.

Para a maioria dos verdadeiros residentes daquelas ilhas, a única esperança que resta é esperar por ajuda… calçados, comida, água, roupas, medicamentos, qualquer brinquedo para as crianças, lanternas, pilhas, carregadores solares, diesel para os geradores e motoserras, dessalinizadores, lonas, martelo, prego, serrote, ferramenta, madeira… possibilidade de sobrevivência, possibilidade de começar a trabalhar e lutar pela vida!

Nós saímos de lá. Mas nós queremos voltar! E lutar pela reconstrução da vida daquelas pessoas. Porque só ajudando aos outros é que nós conseguiremos nos ajudar também para que possamos sair melhores e mais fortes desta tragédia.

Entretanto, nós também perdemos tudo. Ficamos com pouco mais do que a roupa do corpo e um par de chinelos. Então precisamos da sua ajuda!

Ajude-nos doando qualquer quantia e depositando-a na conta abaixo. Nós vamos usar o dinheiro da sua doação para comprar roupas e calcados para nós, para nos alimentar e para levar esperança as pessoas que perderam muito mais do que nós.

Luiz Fernando da Silva
CPF 075 284 038 06
Banco do Brasil
Agencia 3257-3
Conta 11226-7


ATITUDES MUDAM AS PESSOAS E PESSOAS MUDAM O MUNDO. Não somos os únicos engajados nesta causa. Somos uma legião! Obrigado por fazer parte dela!

Furação Irma... e agora?



Amigos! Já encontramos uma coisa para fazer! Que vai nos fazer melhores e mais fortes depois desta tragédia!
Não temos palavras para agradecer a tantas manifestações de carinho, solidariedade, orações e apoio. Tantas pessoas nos oferecendo toda a forma de ajuda, inclusive ajuda financeira. Isso é muito comovente. Muito obrigada.
Continuamos completamente devastados pela tragédia que nos atingiu, por todo o sofrimento, ansiedade, incerteza, por todos os anos de luta para conseguir chegar no Cascalho e por todas as alegrias vividas com ele, por cada coisinha que ficou dentro dele, por todas as lembranças. Por tudo.
Mas estamos vivos!!! Isso é maior e mais importante do que tudo! E somos muito gratos por isso!
Quando o furacao passou e estávamos vivos e ilesos, a realidade catastrófica nos deixou estarrecidos. A única certeza que tínhamos, a única vontade e a única luta naquele momento, era achar uma forma para sair de lá. Não tínhamos comunicação, luz, água, roupas, uma propriedade ou qualquer outra coisa que nos segurasse lá. Em breve não teríamos mais comida e nem água para beber. No meio daquele cenário de destruição total, sentimos muito pelas outras pessoas e pela desgraca trágica de cada um, mas a partir daquele momento era cada um por si. Sair dali imediatamente era uma questão de sobrevivência.
E como mais uma vez o universo conspirou e a Graça Divina nos concedeu, menos de 24 horas depois da tragédia ja tínhamos arranjado um jeito de sair de lá. Encontramos uma alma boa, cujo barco sobreviveu a tragédia e ele nos permitiu viajar com ele. Preparamos o pouco que nos sobrou e 48 horas depois que o furacão passou, ja tínhamos deixado Tortola nas Ilhas Virgens Britânicas e chegado em Porto Rico, saos e salvos, intactos, sem um arranhão.
Chegando aqui, fomos recebidos no pier com agua e um delicioso sanduíche oferecidos pela marina. Nos acomodamos num hotel felizes por ter voltado a normalidade, tomamos um banho maravilhoso e tínhamos uma cama maravilhosa para dormir. Pensamos que a partir dali tudo ficaria bem!
Mas nao ficou! A noite não foi boa, não dormimos bem, tivemos pesadelos, passamos a maior parte da noite acordados, conversamos, questionamos e choramos muito, um choro desesperado.
Por que?
Simplesmente porque depois de tudo isso nunca mais seremos os mesmos.
Temos uma missão! Conseguimos sair de lá, não para deixar tudo para trás, mas para chegar do outro lado e nos juntar a uma legião de pessoas que estão dispostas a arregacar as mangas e trabalhar para ajudar as pessoas que lá ficaram e que tem simplesmente nada além da possibilidade de viver em meio aos destroços e esperar por ajuda.
Se tudo der certo, amanhã parte a primeira flotilha de barcos aqui de Porto Rico, em direção a Tortola, levando água, comida, medicamentos, roupas, ferramentas, diesel e esperança para as pessoas! Luiz e Alex capitaneando uma dessas embarcações.
E que Deus continue nos abencoando! Que bons ventos soprem para nós! A história do Cascalho velejando pelo Mundo não acabou!

CONCEDEI-ME, SENHOR A SERENIDADE NECESSÁRIA

PARA ACEITAR AS COISAS QUE NÃO POSSO MODIFICAR
CORAGEM PARA MODIFICAR AQUELAS QUE POSSO
E SABEDORIA PARA CONHECER A DIFERENÇA ENTRE ELAS

Furacão Irma






ESTAMOS VIVOS!!!

Apesar de toda a confiança, em muitos momentos chegamos a duvidar. O que vimos e vivemos nem precisamos dizer que foram as piores coisas da nossa vida. Não conseguimos encontrar palavras para expressar nosso sentimento. Estamos arrasados. Perdemos o Cascalho e perdemos o ToNina. O Cascalho era o barco melhor preparado da marina para enfrentar esse furacão de categoria 5. (até hoje esta era a categoria máxima. Provavelmente o furacão Irma sera elevado a categoria 7). Reforçamos todos os cunhos do barco, amarramos um sem número de cabos no próprio pier, nos cunhos do pier e nos pilares base de sustentação dos piers usamos cabos e correntes. Além dos cabos normais, usamos cabos de dyneema (praticamente mais forte do que este cabo, só os cabos de aço) e protegemos todos os cabos com pedaços de uma mangueira especial para não serem rebentados pelo atrito com o cimento. Além de toda a amarração e mesmo estando no pier, jogamos âncoras para segurar o barco por todos os lados. 

A primeira parte do furacão passou e, como se nada tivesse acontecendo, o sol voltou a brilhar, o céu voltou a ficar azul e o vento parou de soprar. Estávamos dentro do olho do furacão. Abrimos a porta de casa e o cenário de devastação total nos arrasou. A cidade já estava no chão. Carros virados, tudo quebrado, paredes inteiras de prédio que voaram, todas as árvores arrancadas, nem mais uma folha nas árvores... flagelo. Corremos para o pier e mal pudemos acreditar... muitos dos barcos já estavam perdidos mas o Cascalho estava lá, firme e forte, com nada arrebentado, com nada quebrado, firme e forte, bravo como sempre foi. Ficamos dentro do olho do furacão por uns 20 minutos, aí chegou a hora de enfrentar a segunda parte.

Estávamos muito confiantes. Iríamos sobreviver, nós e o Cascalho.

Corremos para casa e nos trancamos. Desta vez tínhamos que proteger melhor a nossa porta. O vento sopraria direto para ela e se ela não resistisse nos estaríamos perdidos. Colocamos almofadas na porta para amortecer os impactos, pegamos a mesa e colocamos em pe por trás da porta além de vários outros móveis pesados empilhados, o Luiz e o Alex se revesaram o tempo todo segurando a porta. E os ventos mais fortes, aqueles que rodeiam o olho formando a sua parede, que já tinha nos assolado antes de entrarmos no olho do furacão, sopraram novamente impiedosos sobre nós. A porta tremia, o vento rugia não em rajadas mas constante, soprando a mais de 300 quilômetros por hora. A pressão atmosférica era tao grande que os ouvidos ficavam trancados o tempo todo, nos causando uma sensação mil vezes pior do que quando um avião pousa e decola. Tudo que estava solto pelo chão do lado de fora voava batendo violentamente nas paredes, portas, janelas e telhado. A cada novo impacto, nossas esperanças diminuíam um pouco mais. A Carla e eu já estávamos dentro do nosso bunker - um abrigo dentro do abrigo contra furacões, so esperando a hora que o teto voasse, a porta se fosse e os homens viessem para junto de nós. Felizmente, esse momento nunca chegou. O vento começou a diminuir e finalmente conseguimos abrir uma janelinha para espiar nossos barcos. O Cascalho continuava no lugar dele, amarrado ao pier onde o deixamos. Mas já não estava flutuando. Foi afundado por outro barco que o vento fez voar e dar uma pirueta caindo de ponta cabeça em cima do nosso Cascalho, como se fosse uma folha de papel. Esse barco nos preocupou, era de um casal de amigos sul africanos amigos nossos. Entramos em contato com eles na segunda feira de manhã, enquanto estávamos preparando o Cascalho. Perguntamos a eles se eles sabiam da tempestade e dissemos que o barco deles não estava preparado para o furacão. Dissemos que infelizmente não poderíamos ajuda-los pessoalmente pois estávamos muito ocupados, mas que se eles não tivessem ninguém, nós poderíamos chamar alguém para preparar o barco deles. No final da tarde eles nos responderam dizendo que alguém viria preparar o barco. Essa pessoa veio, mas infelizmente não fez o suficiente. O barco deles não resistiu a tempestade e afundou o nosso Cascalho. Muito triste. Inconscientemente, nossa preocupação tinha uma razão de ser. O Cascalho continua lá, amarrado ao pier, os nossos cabos de dyneema cortaram o casco do outro barco, nenhum cunho do Cascalho rebentou nenhum cabo se soltou daquele lado do pier. Mas era querer demais do nosso Cascalho que ele suportasse o peso de outro catamaran maior e mais pesado do que ele, 44 pés, arremessado violentamente contra o seu mastro e em cima da sua rede na proa.

Amávamos o nosso Cascalho. Cuidávamos dele como muito poucos cuidam do seu barco. Quem nos conhece, quem navegou conosco, quem curtiu suas férias a bordo conosco, sabe o quanto ele era amado por nós. E todos que o conheciam passavam a admirá-lo também. 

Descanse em paz Cascalho. Voce continua sendo o nosso sonho. Nos levou para tantos lugares, nos fez viver tantas coisas maravilhosas, conhecer tantas pessoas incríveis... ficam as maravilhosas memórias e as mais de 80 mil fotografias que tiramos ao longo desses cinco anos. 

Precisou vir a maior tempestade de todos os tempos para te derrubar. Nós vamos sentir muito a tua falta. E por qualquer lugar por onde andarmos e por todas as horas e sempre vamos lembrar de ti!!!

Quanto a nós, saímos de casa para voltar em dois dias. Mas nunca mais poderemos voltar. Estamos arrasados. Difícil encontrar forças e saber por onde recomeçar. Sentimos fome mas é difícil comer, sentimos sono e cansaço mas é difícil dormir e descansar, a tragédia e a única coisa que povoa os nossos pensamentos. Estamos vivendo a tragédia que ate hoje so tínhamos visto através das telinhas da televisão ou dos telefones. O que se ve através dessas telas, não é nada comparada a realidade nua e crua. Temos pouco mais do que a roupa do corpo e um par de havaianas. Mas temos muita sorte na vida! Estamos vivos sem nem um arranhão fisico e apenas 36 horas depois da tragédia, conseguimos embarcar em um dos poucos barcos que sobreviveram, e chegamos em Porto Rico com alguns outros amigos. Fomos as primeiras pessoas a deixar a ilha. Meu Deus, como foi difícil virar as costas e partir deixando lá a nossa história e tantos amigos. Ficamos ainda muito mais tristes por todas as pessoas que não tem a mesma sorte que nos. Que não tem como sair da ilha, que não tem escolha, que não tem outro caminho a seguir. O nosso desejo é nos restabelecer, comprar roupas e calcados para nós, voltar para lá e ajudar na reconstrução da ilha e da vida das pessoas que lá estão e que não tem a mesma sorte que nós.


Também nao conseguimos encontrar palavras para agradecer a cada um de vocês que em pensamento, oração, mensagens, compartilhamento, curtidas e até mesmo em silêncio estiveram conosco nestes momentos tão difíceis. Sem a ajuda de vocês, não teria sido assim. Ainda nem conseguimos ler todas as mensagens. Só hoje estamos tendo acesso a internet. Pode demorar, mas nos vamos responder especialmente a cada um de vocês.

Nós acreditamos no poder da Protecao Divina. O nosso Cascalho não resistiu. Mas o nosso abrigo sim. E foi o único que saiu intacto da tempestade. Foi a corrente de orações e o poder do pensamento positivo que nos salvou. Muito muito obrigado de coração a cada um de vocês.

SANTO ANJO DO SENHOR
MEU ZELOSO GUARDADOR
SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA
ME REGE, ME GUARDE, ME GOVERNE E ME ILUMINE,
AMEN!